INSTITUTO JOHN GRAZ

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“Brazilian Design Book”

Data: 29/01/2016 - Local: São Paulo

A História do design brasileiro no século XX: “Brazilian Design Book”.

O designer e arquiteto de interiores John Graz (por Anna Maria Affonso dos Santos)

John Graz, artista suíço, de formação européia, viveu em São Paulo durante quase todo o séc. XX, exercendo ativamente a profissão de artista plástico, designer e arquiteto de interiores.

Artista de espírito arrojado; foi responsável pela introdução do estilo moderno nos interiores das residências paulistas. Sintetizou em suas obras a modernidade, apresentando novas soluções decorativas, agregando aos objetos de uso cotidiano um novo valor estético diferenciado e inovador. Mais do que um artista, John ajudou também a difundir o conceito de que as artes aplicadas deveriam ser integradas a um projeto global de arquitetura.

Durante sua trajetória profissional ele transitou a nível exploratório por vários estilos artísticos e decorativos, dialogando com eles e fazendo por vezes uma ponte entre a tradição e a modernidade. Assumia uma atitude moderna em relação ao fazer artístico, na medida em que absorvia várias influências sem se filiar a um partido estilístico.

Os móveis criados por ele apresentavam variações não só na aparência como também no aprimoramento da funcionalidade, móveis condicionados e adequados à proporção de um espaço determinado.

Em seus projetos percebe-se simplicidade e funcionalidade, com móveis e objetos essenciais ao conforto do proprietário. Nos ambientes, John Graz conseguia conciliar objetos artesanais com as exigências da nova sociedade, voltada agora para a indústria.

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Nos anos 30 artistas, designers e arquitetos preocupavam-se em realizar obras que demonstrassem as mudanças sociais. O racionalismo nos projetos de John Graz dos anos 30 se caracterizou por um vocabulário geométrico de formas simples, que se harmonizava com elementos decorativos luxuosos feitos com materiais sofisticados e não usuais.

Para John Graz a edificação e a decoração deveriam formar uma só unidade, nenhuma se sobrepondo a outra. A simplicidade de seus projetos possibilitava que os elementos estruturais se mantivessem aparentes.

Para John Graz a casa moderna resultava dos processos de simplificação e despojamento ornamental: qualquer superfície assumia uma identidade particular, por meio de jogos volumétricos, pesquisas de cor e uso de diferentes materiais. Os ambientes criados por ele se destacavam pelo luxo, pela ousadia e pelas composições inéditas. Existia um elevado grau de “pregnância” formal em seus projetos, caracterizado pela clareza com que os elementos compositivos estavam distribuídos e pelo sofisticado tratamento gráfico obtido por meio de linhas, brilhos, texturas e contrastes. Mesmo utilizando elementos opostos, John procurava fornecer equilíbrio visual à composição.

Em muitas de suas criações é possível observar a recriação do espaço cubista, tanto no plano bidimensional (no desenho), quanto no plano tridimensional (na arquitetura e no design). Uma preocupação em fornecer dinamismo às composições abstratas geométricas.

Os anos 40 corresponderam à consolidação de algumas conquistas modernas, devido à viabilidade do mobiliário em termos de produção e disponibilidade de materiais. O design apresentava-se ainda ligado a esquemas europeus, seguindo muitas vezes os estilos da monarquia francesa dos “Luíses”, porém com desenhos mais limpos e despojados, dentro de novas propostas inventivas e inovadoras. Ocorria um interesse pelos materiais brasileiros, dentro de um processo de renovação, para que o mobiliário se adequasse aos padrões de uma arquitetura moderna. Muitas vezes adquirindo uma feição orgânica, numa organização harmônica das partes de um todo, de acordo com a estrutura, material e propósito. Esta multiplicidade de formas e curvas propiciava uma nova concepção de conforto.

John Graz não se preocupava em formalizar conceitos e sim agregá-los a objetos e projetos decorativos. Para ele a inspiração poderia vir de diferentes correntes artísticas, desde que nela fosse depurada a essência das formas e cores.

Nos anos 50 a decoração fugiu à rotina dos gêneros estilísticos. Ocorria uma intensa euforia desenvolvimentista e confiança no futuro que era vivenciada no crescimento urbano, na industrialização, modernização e intercâmbio cultural. Uma visível transformação de hábitos ocorria e se percebia no design, um forte vínculo com a indústria e com a arte concreta, que pregava uma melhor elaboração artística em busca da forma precisa. Na decoração de interiores eram aceitas novas formas, padrões e tendências racionalistas, com ênfase na abstração geométrica. As peças eram distribuídas no espaço seguindo um gosto pessoal, que resultasse na construção de uma nova estrutura de cor e espaço, se opondo ao formalismo tradicional. A base geométrica de um projeto pressupunha a integração absoluta entre todos os elementos, arte, design e arquitetura. Era a profecia de uma total integração da arte na vida cotidiana.

John acompanhou estas modificações, dedicando grande interesse a integração móvel-arquitetura. Preocupava-se com a “bela forma” e com o “belo desenho”, uma vez que, para ele a beleza era uma questão de equilíbrio entre as partes, ou seja, para que o móvel fosse bonito precisava apresentar um correto equilíbrio no espaço, eliminando os elementos supérfluos. Seus projetos modernistas, pautados no racionalismo, apresentavam freqüentemente assimetria, linhas simples e geométricas, economia decorativa e uma íntima integração entre forma e função, privilegiando os materiais, as cores, as formas e as superfícies. Eram plantas livres, elaboradas a partir de estruturas independentes que permitissem a livre distribuição das paredes e circulação das pessoas.

Há nos projetos de John Graz deste período as inevitáveis mesas, poltronas, cadeiras e estantes com utilidades quase infinitas. O mobiliário desta época não apresentava uma clara divisão entre peças de escritório ou de uso doméstico e havia uma busca pela flexibilidade no atendimento de funções. Esta multifuncionalidade, presente nos móveis de John Graz, variava de acordo com as necessidades do cliente. Tudo muito prático e simples, possibilitando que um móvel pudesse ser desmembrado em outras peças e assim assumisse novas funções.

Incluía também na concepção do espaço outros elementos simbólicos tradicionais, tais como a escultura e a pintura, em total integração com os demais elementos. Neste período o interesse central da experiência construtiva era unir modernidade estética com a prática humanista.

Este processo de modernização cultural demandou e refletiu um aprimoramento de nossas instituições brasileiras sendo criados os Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da Bienal de São Paulo. Exposições altamente significativas de artistas abstratos europeus puderam ser vistas naquela virada de década e marcaram o imaginário visual e plástico de toda uma nova geração.

Artistas e designers pensavam a forma em toda a sua potência disseminadora; novas formas de ver e consequentemente, de viver em sociedade.